sexta-feira, 20 de agosto de 2010

THE "N" WORD E SERIA OBAMA MUÇULMANO?

É como os americanos se referem à palavra nigger, considerada uma forma altamente ofensiva de se referir a um negro.

Nas últimas semanas a "N" word tem provocado fortes debates no rádio, na TV e nos jornais.

O ator Mel Gibson teve uma discussão telefônica com a ex-namorada gravada e distribuída na internet.

No bate-boca, Gibson dizia que a moça poderia ser violentada por um grupo de niggers que ele não se importaria.

A moça, que havia gravado a discussão, passou o diálogo para um site de fofocas.

Em questão de minutos o assunto entrou na agenda nacional.

Um programa vespertino da CNN passou 40 minutos repetindo o diálogo e comentando o histórico de agressões verbais e comentários preconceituosos de Mel Gibson contra negros, judeus etc.

Na semana passada, uma radialista conhecida como Dr. Laura usou a palavra nigger (ou "N" word) durante o programa.

Ela questionava o fato de que humoristas negros usavam a palavra nos filmes para se referir aos negros, mas que quando um branco usava a palavra era imediatamente vítima de patrulha, processos etc. Dr. Laura queria fazer valer seu direito de se expressar livremente.

Segundo os jornais, ela usou a palavra nigger onze vezes em pouco mais de cinco minutos do programa, apesar de ter recebido várias ligações de ouvintes pedindo que ela parasse.

O caso virou escândalo nacional.

Dr. Laura foi entrevistada ao vivo no programa Larry King e anunciou que encerraria sua carreira radiofônica quando seu contrato terminasse.

O caso Dr. Laura todo dia ocupa pelo menos cinco minutos no noticiário da CNN.

A outra polêmica trata de uma pesquisa mostrando que um em cada 5 americanos acham que o presidente Barack Obama é muçulmano. Obama é cristão.

Vídeos fraudulentos com entrevistas dadas pelo presidente estão circulando na internet.

Numa delas, Obama fala sobre sua "fé cristã". Alguém pegou uma entrevista em que Obama menciona a expressão "fé muçulmana" e a colocou no lugar da expressão verdadeira.

Quem assiste ao vídeo escuta Obama falando sobre sua "fé muçulmana".

A Casa Branca teve que colocar os "conselheiros espirituais"(sim, eles existem) do presidente nos principais programas de entrevista para esclarecer que Obama é cristão.

Obama também comprou uma briga com judeus e protestantantes ao dizer que é favorável à construção de um centro islâmico em Nova York, a dois quarteirões do World Trade Center.

Mais lenha na fogueira.

Isto é a América.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

UM ACIDENTE DE CARRO, UMA SENHORA COM UM TAPA-OLHO E UM CACHORRO CAOLHO QUE ME OLHA SÓ COM UM OLHO

Ontem estávamos parafusando os pés do sofá quando escutamos um barulho do lado de fora.

Fui até a janela e vi um senhor saindo cambaleante do carro que ele havia acabado de bater contra a parede da casa do nosso vizinho de frente.

Uma mulher já estava ao lado dele, ao telefone, ligando para o 911.

Saí de casa e o senhor, de uns 80 anos (como vim a saber depois), caminhava confuso.

Perguntei se ele estava bem.

Ele disse que sim, mas estava totalmente atordoado, sem rumo.

Pedi para ele sentar, mas ele insistia em ir embora.

Enquanto falava com o 911 por telefone, a mulher foi atrás do senhor e o segurou pelo braço, para que ele não deixasse o local.

O senhor continuou andando, enquanto dizia que precisava falar com alguém em casa.

Perguntei para o senhor o que havia acontecido.

Ele disse que tentou frear o carro, mas pisou no acelerador por engano.

O carro subiu na calçada e bateu de frente com a parede da casa.

Outra mulher veio descendo a rua ao nosso encontro e o senhor parou para falar com ela.

Começou a sair fumaça do motor do carro.

Em menos de um minuto, chamas.

Alguns vizinhos em volta olhando o carro destruído, a fumaça e as chamas, que rapidamente foram consumindo toda a parte dianteira do veículo.

Haveria risco de explosão?

Alguns vizinhos tiravam fotos.

Corri para o andar de cima, peguei minha câmera e tirei as fotos a seguir, já com a presença dos bombeiros (que levaram cinco minutos para chegar).





Nesta última, um dos bombeiros arromba com um chute a porta da casa em que o carro bateu.


O carro ficou totalmente destruído.

Enquanto os bombeiros apagavam o fogo, mais e mais vizinhos chegavam.

Alguns pais trouxeram os filhos pequenos para ver a ação e tirar fotos.

Os dois caminhões dos bombeiros fascinavam as crianças.

É estranho como acidentes e tragédias criam situações que permitem a interação.

Vizinhos por quem eu cruzei várias vezes sem nunca ter trocado uma palavra agora puxavam conversa animadamente.

Um deles, de 20 e poucos anos, ao perceber nosso sotaque, quis saber de onde éramos e disse que a mãe dele era peruana, trabalhava como secretária na embaixada do Peru e conheceu o marido num desses coqueteis do circuito diplomático.

Descalço, usando shorts, camiseta, boné e com umas unhas enormes que permitiam ver a sujeita acumulada sob elas, o nosso jovem vizinho meio peruano praticamente contou a vida dele nos três minutos em que ficou ali ao nosso lado.

VIZINHO MEIO PERUANO - Morei aqui a vida toda, com exceção do último ano, quando me mudei para xxx. Esse acidente foi a coisa mais emocionante que eu já vi acontecer aqui.

Durante a ação dos bombeiros apareceu uma vizinha que eu nunca havia visto.

Uma senhora que usava um tapa-olho sobre o olho esquerdo.

A ação dos bombeiros levou mais algumas horas e fiquei acompanhando pelas frestas da persiana na janela da cozinha.

A senhora com o tapa-olho não saiu dali.

Conversava com os bombeiros, com os policiais, com o sujeito do seguro.

A imagem da senhora com o tapa-olho não me sai da cabeça.

E me faz lembrar que aqui no condomínio também há um cachorro caolho.

Não sei qual é a raça dele, mas lembra um pequinês mestiço.

O cachorro deve ter problemas sérios, pois o bicho também não anda.

A dona o leva para passear todos os dias sentado num carrinho de bebê.

Eles passam aqui em frente de casa todos os dias.

Quando passo por eles, o cachorro fica lá, sentado no carrinho de bebê, um olho costurado e o outro olho me olhando.